Dr. Augusto Barretto faz alerta sobre cuidados com problemas respiratórios no outono

Tosses, espirros, falta de ar, coriza e coceira nos olhos. Esses são alguns incômodos sentidos no outono, não só por quem possui doenças respiratórias como asma, rinite e sinusite, mas sim por boa parte da população exposta a baixa umidade da estação.

As quedas de temperatura e o ar seco são os principais fatores que causam problemas respiratórios nesta época do ano. Dessa forma, é necessário que sejam tomados determinados cuidados diários para evitar irritações no sistema respiratório.

Em entrevista ao Destaque1, o otorrino, Dr. Augusto Sá Barretto, 42 anos, falou sobre os principais fatores relacionados a influência do outono nos problemas respiratórios. Dr. Augusto Barretto atua na clínica Otorrino Camaçari há 8 anos.

Destaque1 – Quais os principais sintomas relacionados ao sistema respiratório apresentados no outono?

AB – Obstrução nasal, que é o nariz entupido, secreção que pode ser tanto pela nariz como pela boca, coceira, falta de ar e espirros.

D1 – Como evitar crises alérgicas nesta época do ano?

AB – A asma e a rinite são as doenças mais comuns, e aqui no Nordeste não temos tanta variação na temperatura durante o ano, as estações não são bem definidas, a diferença aqui é o período que tem chuva e o que não tem. Agora nessa época de chuva, o problema é que a umidade fica maior e com essa umidade, há um crescimento de fungos e ácaros, microrganismos presentes na casa, na poeira, eles se alojam em colchões, em roupas de cama, e nesse tempo é mais fácil a proliferação desses organismos por conta da umidade. Então prevenir as crises, seria basicamente o cuidado com o ambiente, casa arejada, sempre que possível o colchão tem que tomar sol, roupa de cama tem que ser trocada regularmente e muita limpeza. A remoção de sujeira em locais onde facilita a umidade como paredes atrás de móveis tem que sempre limpar.

D1 – Camaçari é uma cidade altamente industrial, como isso influencia no sistema respiratório da população?

AB – A mucosa respiratória, que é como se fosse um revestimento que abrange desde o nariz até as partes menores do pulmão, que são os brônquios, bronquíolos e alvéolos, funciona pra nos proteger, filtrar o ar e para eliminar partículas estranhas e nocivas. Toda essa parte respiratória é facilmente irritada pela presença de poluentes. A combustão, que é o que acontece na eliminação de dióxido de carbono de descarga de veículos e também nas indústrias, como de enxofre. As cidades industriais, tem uma facilidade de que as pessoas desenvolvam alergia respiratória, não porque essas pessoas tem geneticamente mais possibilidades, mas sim porque há um fator agravante, além do ácaro e do fungo, você tem a irritação da via aérea por conta dessas substancias presentes no ar.

D1 – Existe um grupo de pessoas mais sensíveis às alergias respiratórios?

AB- As pesquisas feitas demonstram que não há uma predileção, nem por faixa etária, nem por grupo étnico, nem por outra distinção. Afeta homens, mulheres, idosos, crianças, de forma indistinta.

D1 – Pessoas que não possuem nenhum problema respiratório podem vir a adquirir no outono e inverno?

ASB – A rinite e a asma são doenças que a pessoa já nasceu com a programação genética, em relação a surgir uma asma, surgir uma rinite, estudos indicam que quando uma criança é exposta mais cedo a fatores irritantes, ela pode desenvolver anticorpos de proteção e ficar protegida, mas não tem como mudar isso ao longo da vida, não tem cura. As pessoas que não têm a rinite e a asma, elas vão ter infecções respiratórias ao longo da vida, mas não são alérgicas, não são de reatividade exagerada.

D1 – O que é recomendado para amenizar as crises alérgicas?

AB – Existem vários tratamentos, locais e sistêmicos. Locais são os medicamentos que são colocados diretamente no nariz, os mais comuns são os sprays nasais, lavagem com soro fisiológico e via oral temos os anti-inflamatórios e os antialérgicos. Tem que se fazer o diagnóstico para diferenciar rinite, sinusite e asma. Também há os casos em que não há alergia, mas sim fatores mecânicos, como adenoide e desvio de septo. Sobre tratamentos naturais, não há nenhuma pesquisa que comprove a eficácia de chás e outras coisas, vai da experiência pessoal e é preciso tomar cuidado com os excessos.

D1 – O senhor pode fazer suas considerações finais, avisos e dicas.

Dr. Augusto Sá Barretto. Foto: Hyago Cerqueira

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