Bruxas Gang: viva o matriarcado na cena do rap em Camaçari

A arte marginal é uma válvula de escape para diversos artistas que lutam para quebrar os paradigmas da meritocracia imposta em qualquer sociedade. Formado há 11 meses pelas poetisas Clara Pinto, Laura Cruz e Stephanie Cristine, o Bruxas Gang surge a partir da necessidade de expansão do espaço para as rappers em Camaçari. Fortalecendo os movimentos de lutas sociais, o grupo traz em suas canções denúncias contra o sistema capitalista, machismo, racismo e preconceitos sociais.

O Rap chegou ao Brasil no final dos anos 70, com grupos de periferia que se reuniam na Galeria 24 de Maio, em São Paulo. Desde então o espaço sempre foi dominado por homens. Quebrando essa visão, Camaçari chega no novo cenário do Rap com a voz das minas que passaram a ocupar cada vez  esse espaço segurando o mic (microfone), a partir do Slam das Mulé, em fevereiro desse ano.

Aos 19 anos, Clara Pinto, se define como uma mulher esperançosa por acreditar que através da arte possa haver uma transformação humana.

Acredito que a arte pode mudar a realidade sem precisar de uma imposição, pois a arte é algo natural. A arte é a liberdade da alma e que as pessoas se abram para isso de uma forma positiva. Da forma que eu enxergo a arte, nela não há imposição. Nós não somos as mais perfeitas, empoderadas, mas estamos levando nossa arte, o que a gente sabe fazer para que as pessoas possam passar por essa transformação. Estamos em uma sociedade muito preconceituosa e extremamente racista, é difícil quebrar isso, mas arte ela é capaz de transformar e estabelecer respeito. As pessoas precisam se permitir conhecer a arte.

Clara Pinto. Foto: Beatriz Santos

A rapper ainda ressalta a importância da ampliação do conhecimento sobre os diversos movimentos artísticos de rua e do incentivo ao esporte em Camaçari.

Laura Cruz, 18, popularmente conhecida como “Laura no Beat”, diz que o grupo serve como espaço para suas expressões.

Laura Cruz. Foto: Beatriz Santos

Sempre fui muito retraída e sensível. Sempre soube fazer beatbox, mas também sempre tive vergonha. Eu sonhei muito em mostrar o que sei fazer como artista, mas não sabia como fazer isso, até formar o grupo com as meninas. Ainda me sinto insegura em muitas coisas, mas a arte veio para mudar minha vida.

“Sou uma menina muito sonhadora e incrível”, assim se define Stephanie Cristine, 19, que busca diversificar seus talentos artísticos e futuramente ocupar campus além da música.

Através do Bruxas Gang estamos espalhando a ideia de que as mulheres podem ocupar vários espaços.

Stephanie Cristine. Foto: Beatriz Santos

As Bruxas afirmam que apesar de toda luta por vez e voz, ainda é difícil se sentir confortável onde a atmosfera é predominantemente masculina e com muitos olhares de críticas. O grupo ainda diz que não esperava ser acolhido por homens que fazem parte do cenário musical.

As artistas questionam a falta de espaços adequados e apoio público para manter e expandir os projetos culturais em Camaçari. “Os homens olham pra gente e pensam: ‘hum.. será que esse grupo vai durar? Vocês sabem mesmo o que estão fazendo?’. Então, é muito mais difícil quando a gente está inserido nesse meio, porque além de nos posicionarmos como mulher, também temos que nos posicionar como mulheres que entendem da arte e que sabem o que estamos fazendo. E ainda temos que lhe dar com uma falta de apoio para nossas apresentações. O governo tem medo do povo quando pensa”, declara Stephanie.

Com o intuito de conceituar o grupo como mulheres, o Bruxas Gang tem sete letras escritas e uma gravação, “Tá Feita a Ameaça”. A faixa foi produzida por artistas de Camaçari, entre eles Thug2Beats, Master & Mix TDG Records, DJ Thandera e S4LM4Z0, e aborda, além de diversos problemas sociais, o machismo sofrido pelas meninas no espaço da música.

“Esse trabalho faz com que nós sejamos o espelho para muitos jovens e para muitas outras mulheres que vão ouvir nossa música e se inspirarem para mudar e sair de situações abusivas”, finaliza Laura.

Confira a música de trabalho das Bruxas Gang 

2 comentários em “Bruxas Gang: viva o matriarcado na cena do rap em Camaçari

  • quarta-feira, 12 de dezembro de 2018 em 14:49
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    Adoro chega choro 🔥💙

    Resposta
  • quarta-feira, 12 de dezembro de 2018 em 18:39
    Permalink

    Bruxa gang grava esse nome pq.vao fazer sucesso ❤️

    Resposta

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