A incerteza ronda o sul da América

Os Estados Unidos sempre guardou profundo desejo pela América do Sul. Já no século XIX, a Doutrina Monroe, era utilizada para afastar qualquer interferência externa nas relações diplomáticas, econômicas e políticas da região. O que deixava o caminho livre para um domínio estadunidense mais ao sul do continente. Sempre com discurso humanitário, os interesses do vizinho do norte iam muito além de investida civilizatória, no fundo eles sempre viram o sul da América como um grande quintal.

Na segunda metade do século XX, a experimentação do mundo bipolar e o medo do comunismo fizeram os americanos do norte investir de maneira acintosa na vida política dos países latinos. O patrocínio de intervenções militares em diversos países da América do Sul, em especial os que de alguma forma se afastavam da direção política e econômica pretendida pela Casa Branca marcou esse período da história. Torturas, assassinatos, exílio, privação de liberdade e aprofundamento das desigualdades sociais foram a marca desse momento que deixou legado catastrófico por quase toda América do Sul.

A queda do muro de Berlim simbolizava uma nova era. A globalização fez com que o mundo multipolar superasse a experiência anterior, a diplomacia e o diálogo eram o caminho para soluções dos conflitos, acordos multilaterais visavam crescimento econômico sustentável e regional. No velho mundo a União Europeia foi o caminho encontrado para combater o imperialismo dos americanos do norte e conter a desigualdade regional no continente. A livre circulação de pessoas, queda de barreiras alfandegárias, conjunto de leis e a moeda única, fizeram desse o maior bloco econômico do mundo.

Na América do sul, o MERCOSUL foi o caminho encontrado para barrar a ALCA, defendida pela Casa Branca, a proposta aumentaria a presença e a interferência estadunidense sobre países vizinhos. Diferente do acordo mais ao sul, a ALCA não fala de integração, dissoluções de fronteiras, nem de redução das desigualdades regionais. O imperialismo do norte visava em fim, o grande mercado consumidor, e as abundantes riquezas naturais mais ao sul.

De alguma forma o EUA sempre se intitulou ser ele o responsável por defender os valores morais, políticos, econômicos e sociais do planeta, logo cabendo também a ele agir em casos que tais valores não estejam sendo respeitados. Não sei o porquê, mas, particularmente nunca acreditei nas boas intenções estadunidenses, sempre acho que tem alguma coisa a mais.

Hoje, aliado ao Brasil, seu fiel escudeiro, os Estados Unidos defende uma intervenção na Venezuela com a ideia de que os venezuelanos precisam de ajuda humanitária. Qualquer mente um pouco mais sensata reconhece o descalabro que o Governo Maduro se tornou para seus conterrâneos. Também esse mesmo cérebro reconhece que não existe saída possível distante da diplomacia, um conflito na Venezuela traria desdobramentos catastróficos para toda região.

Edvaldo Jr., historiador, pós-graduando em Direito Público Municipal, professor e palestrante. Escreve as terças a cada duas semanas.

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