8 de Março: feministas camaçarienses fortalecem movimentos de luta das mulheres

Lutar por melhores condições de trabalho, salários igualitários, conquistar espaços na sociedade dominada por homens, romper barreiras, essas são algumas das muitas características do feminismo. O 8 de março, Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organizações das Nações Unidas (ONU) em 1975. A origem da data é baseada na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.

Poesia para Eva e Outras Mulheres, ato realizado na Praça Abrantes, em 23 de fevereiro. Foto: Reprodução

A força da mulher sempre esteve presente em todos os períodos políticos do Brasil, sempre fazendo com que sua voz seja ouvida e principalmente valorizada. E é assim que a Slammaster Juliana Vale, de 24 anos, e a jornalista Cláudia Magnólia, 32, se veem na sociedade camaçariense, mulheres de luta.

Juliana é artista de rua e começou a se identificar como feminista aos 17 anos. Ela conta que por influências de movimentos vistos na TV, começou a estudar e pesquisar sobre a representatividade feminina. Um pouco depois dessa época ela fez parte do Coletivo Maria Bonita. Após o fim do  projeto, ela juntamente com Rozane Kelly começaram a promover o Slam das Mulé, que completou em 2019 um ano de existência.

A Slammaster afirma que existe um machismo e preconceito muito grande voltado para o Slam, que realiza batalhas de poesias.

“A gente sempre quis ter um espaço para gente. Não vemos muitas mulheres rimando, grafitando e tal. Então a gente admira outros movimentos dos caras mas tínhamos vergonha. As batalhas de rap às vezes são pesadas, nesse meio a gente tá o tempo todo sendo objetificada e xingada”.

Juliana Vale. Foto: Juliana Guimarães

Estar presente nas cenas da arte marginal é uma das razões que fazem Juliana enxergar uma perspectiva crítica em relação a união dos movimentos feministas em Camaçari.

Juliana também diz que está com um projeto para o final desse ano, publicar um livro com poesias de diversas poetisas de Camaçari. “A ideia é dar visibilidade para as meninas da cidade e até mesmo descobrir novas artistas”.

As referências de Juliana vão de Beyoncé, passam pela escritora Clarice Freire e por sua mãe Magali Vale, a quem a artista agradece ser a pessoa que é hoje.

Magnólia, assim como Juliana, começou a acreditar na sororidade através do feminismo. Mesmo com a fé na união das mulheres, a jornalista afirma que o movimento ainda é muito mal interpretado. “O grande problema é que a sociedade ainda interpreta mal e julga o movimento feminista como algo ruim, mas é pura falta de conhecimento”.

Ela explica que essa luta não é voltada para derrubar os homens ou querer ocupar lugares de outras pessoas, mas lutar por si e ocupar seu próprio lugar.

Ser feminista é ter consciência enquanto mulher e buscar o meu lugar no mundo que não é inferior ou superior aos lugares dos homens, é igual. Mas na nossa sociedade não se vê essa igualdade. Então devemos lutar e lutar.

Claudia Magnólia. Foto: Alice Guimarães

Claudia ainda ressalta que esses movimentos ganham maior relevância por Camaçari ter muitas mulheres em situação de vulnerabilidade. E a situação de insegurança e violência ainda é alta no país. O Monitor da Violência divulgou nesta sexta-feira (8) dados que apontam um leve recuo no número de feminicídios entre 2017 e 2018.

O estudo indica que o número passou de 4.558 para 4.254 vítimas, apesar da pequena redução, o Escritório das Nações Unidas para Crime e Drogas afirma que o país está 74% acima da média mundial.

No dia 23 de fevereiro, Magnólia e Juliana realizaram uma exposição de cartazes na Praça Abrantes intitulada Poesias para Eva e Outras Mulheres, com mensagens empoderadoras e contra a violência.

Foto: Rodrigo Estevão

Os debates públicos sobre os diversos tipos de agressões contra mulheres ganharam força nos últimos 13 anos a partir da implantação da Lei Maria da Penha em 2006, da mudança na lei de estupro em 2009, da lei do feminicídio em 2015, e da mais recente lei de importunação sexual de 2018.

Além disso, em fevereiro desse ano os canais de denúncias voltados para violência contra mulher foram ampliados. Agora o 180 e o Disque 100 recebem denúncias de todo país. Denuncie!

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